O ateliê de Joana Aranha abordou esta antiga casa senhorial em Lisboa de uma forma despretensiosa e, contudo, atenta às suas características originais, sem desviar o foco do pretendido. Uma casa contemporânea.
Texto: cortesia de Joana Aranha Studio / Fotografias: Ana Paula Carvalho
Esta é uma casa com uma área de cerca de 350m2, apoiada por um jardim privado e rico em charme, com cerca de 380m2, que inclui ainda uma zona de piscina. O interior é composto por um hall de entrada/biblioteca, sala de estar comprida, cozinha com sala de vinhos, duas suítes, um quarto, uma casa de banho social e um escritório. No piso inferior existe ainda uma grande sala polivalente com casa de banho e uma garagem.




“O cliente não tinha nenhum requisito específico”, diz-nos o ateliê. “Apenas queria uma casa contemporânea e referiu a importância de respeitar a arquitetura original da casa. Hoje, creio que correspondemos ao pretendido. Criámos um espaço onde o cliente e a sua família se sentem confortáveis e com o qual se podem relacionar. Um espaço que respeitou as suas origens e realçou as mesmas”.



A inspiração para esta casa veio de todo o seu contexto. Da essência da arquitetura da casa — “quisemos manter o classicismo que lhe é inerente” —, da ligação com o jardim e do próprio cliente. “Um financeiro que trabalha na banca, mas com uma sensibilidade e uma alegria de viver muito curiosas”.

Apenas foi possível utilizar materiais que fossem confortáveis, agradáveis, sustentáveis e próximos da natureza. É por isso que os materiais desta casa incluem madeiras, pedras, linhos, algodões e veludos. Além disso, o cromado e o dourado coexistem em pequenos pormenores ao longo dos espaços, num toque de modernidade e leveza.



“O ecletismo está sempre presente nos nossos projetos devido à combinação, que nos é característica, entre materiais e peças, algo que nos define enquanto ateliê. Diríamos que este projeto se enquadra num estilo eclético contemporâneo com curadoria”.


Os pretos e os brancos marcam uma grande presença nesta casa. Criam um ambiente gráfico e masculino. Na sala de estar, a relação com o exterior também traz o verde da natureza para o interior. Uma cor que se revela em múltiplas texturas e tons. Na sala de vinhos, é o tom borgonha do vinho tinto que define a cor de todos os pormenores e nos quartos as cores escolhidas foram ao encontro dos gostos de cada um. Na suíte principal são os azuis que dominam através das sedas, veludos e azulejos portugueses. O quarto da filha, por sua vez, explora os brancos em várias texturas, em contraste com madeiras e rattan.




“Tornar o corredor interessante e dinâmico foi o nosso maior desafio. É um espaço muito longo e estreito, onde não foi fácil criar ritmo e interesse”, dizem. “A solução foi colocar quadros de diferentes tamanhos, para criar alguma dinâmica, com fotografias a preto e branco de ambientes palacianos, uma vez que se trata de uma casa senhorial. Também acrescentámos alguns tapetes compridos verde-esmeralda, para um toque especial e ajudar na ligação visual com a sala de estar”.





O grafismo dado pelo preto e as caraterísticas arquitetónicas da casa, as janelas tipicamente portuguesas com pontos de estar, as portas originais em madeira escura, os nichos… são alguns dos destaques, segundo Joana Aranha. Esta é “uma casa verdadeiramente encantadora”.